Publicado em: quinta-feira, 20/02/2014

Amazonas: Após prisão de prefeito por pedofilia, MP pede intervenção em Coari

Após prisão de prefeito por pedofilia, MP pede intervenção em CoariO Ministério Público do Amazonas (MP-AM) pediu, na última quarta-feira (19), intervenção estadual em Coari. O município, que fica a 363km de Manaus, teve o prefeito Adail Pinheiro (PRP) preso, sob acusação de chefiar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes na localidade.

A representação foi feita pelo procurador geral de Justiça, Francisco Cruz, e enviada ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Segundo a denúncia, foram criados pela Prefeitura de Coari dois conselhos tutelares novos, com 10 conselheiros que não foram eleitos regularmente.

O Ministério Público justifica o pedido com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e outras normas que regem a Administração Pública. A desembargadora Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura, será a relatora no TJAM, e ainda vai analisar a ação do MP.

Enquanto isso, o vice-prefeito Igson Monteiro da Silva está à frente do município, e o prefeito segue preso no batalhão da Polícia Militar no qual se entregou, em Manaus, no dia 8 de fevereiro. Além de Adail, que teve a prisão decretada um dia antes de se entregar, outras seis pessoas foram denunciadas por exploração sexual de crianças e adolescentes. Todos eles foram presos no mesmo dia que o prefeito.

Prefeito também teria estuprado vítimas

Denúncias investigadas pela reportagem de uma rede de televisão apontam que um grupo liderado por Adail Pinheiro abusou e aliciou para a prostituição meninas de 9 a 15 anos. Na Justiça do estado, o político possui três inquéritos policiais, todos relacionados a crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

Ao todo, Pinheiro tem contra si 56 processos ativos, sendo 34 ações em Coari e o restante em Manaus. Outros servidores públicos estariam envolvidos, e segundo as denúncias teriam oferecido casas, terrenos e dinheiro às famílias em troca das meninas.

O mandatário chegou a ficar preso por dois meses pelas acusações de crime sexual, mas foi solto por determinação da Justiça. Adail está no terceiro mandato à frente do município de Coari. Há suspeitas de que o prefeito também esteja envolvido em um desvio de verbas que pode ultrapassar os R$ 49 milhões.