Publicado em: segunda-feira, 10/06/2013

Alunos se solidarizam com colega que usou saia

Alunos se solidarizam com colega que usou saiaUma parte dos 2.700 alunos do Colégio Bandeirantes, um dos mais tradicionais da zona Sul da cidade de São Paulo, pretendia ir à escola nesta segunda-feira, dia 10, usando saias, o que incluiria, inclusive, os garotos. O protesto ganhou grande repercussão e incentivo nas redes sociais, e ocorre porque Pedro Brener, aluno do terceiro ano do ensino médio, teria sido impedido de ficar na escola na sexta-feira, 7, porque estava usando uma saia longa. No entanto, a diretoria da instituição nega ter imposto qualquer tipo de advertência ou punição ao aluno.

A decisão de Pedro em ir à escola de saia já teria sido fruto de outra hostilidade observada no colégio, na quinta-feira, 6. Nesta data, um professor da disciplina de Biologia teria hostilizado o estudante de 16 anos, João Braga, de outra turma,porque ele estava usando roupas caipiras femininas devido à comemoração junina. João conta que como a escola promoveria a festa, ele não viu problema e, mesmo não sendo homossexual, ele diz que pediu uma saia curta para uma amiga e que vestiu a saia por cima da calça que ele usava. A amiga também maquiou o garoto e colocou um lenço em sua cabeça. O estudante comenta que a ofensa por parte do professor aconteceu anteriormente ao intervalo, no momento em que o adolescente entrou na sala de aula com o vestuário trocado. Ele diz que realmente se sentiu ofendido pelo professor, que de forma séria, falou que o festejo realizado na escola seria uma festa junina e não uma festa gay. Colegas de João ainda relatam que outras ofensas aconteceram em outros momentos. O professor chegou a fazer comentários em outras turmas da escola. Ele teria dito que se João quisesse usar saia e estar vestido como uma mulher deveria ter ido à Parada Gay, e não à festa na escola.

Mobilização

Foram exatamente estes comentários que causaram revolta no estudante Pedro Brener e, o fato de a direção ter supostamente impedido o acesso do aluno às aulas deixou outros alunos surpresos e comovidos. Ele diz que chegou a chorar quando o diretor-presidente do colégio, Mauro Aguiar, o suspendeu. Ele disse que até então, ir para a escola de uniforme, chinelo ou minissaia nunca tinha sido problema.

Ex-alunos do colégio também se mobilizaram com a situação e criaram uma petição que circula online junto com uma carta que mostra o repúdio à ação do colégio. Rogério Soles tem 20 anos. Ele é ex-aluno do colégio e hoje estuda no curso de Direito da USP. Ele diz que ele e outros ex-alunos também participariam do “saiaço” que estava sendo organizado nesta segunda-feira.

O colégio tentou se defender das acusações afirmando que sempre encara a roupa usada pelos alunos de maneira liberal e que o colégio não possui um código mais formal a este respeito. A direção diz que não puniria os alunos, mas que se os professores decidissem não os aceitar na classe, manteria esta definição. A respeito da manifestação que deveria acontecer nesta segunda-feira, o diretor do colégio afirmou que mesmo que o colégio permitisse a entrada dos alunos, alguns pais teriam que ser mais responsáveis e que não deveriam usar os filhos como o que ele chamou de laboratório social. Ele argumenta anda que os estudantes poderiam ser agredidos na rua, pois as roupas feririam os costumes vigentes na sociedade.