Publicado em: quarta-feira, 11/04/2012

Advogado de Demóstenes pede que as escutas da PF sejam anuladas

Antonio Carlos Almeida, advogado de Demóstenes Torres pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) que as conversas gravadas entre o parlamentar e Carlinhos Cachoeira sejam anuladas. O advogado usa como justificativa a falta de autorização por parte do Ministério Público Federal e da Justiça Federal para que a Polícia Federal fizesse as gravações durante a Operação Monte Carlo. O senador tem foro privilegiado por ser parlamentar, no entanto ele está sendo acusado de tráfico de influência em favor de Cachoeira, incluindo ainda outros funcionários do governo.

A defesa do parlamentar quer para que as gravações não sejam utilizadas como provas contra ele já que não estavam autorizadas. Além disso, o advogado pede que o inquérito seja suspenso e o processo que já está na Corte seja arquivado. Ele defende ainda que os vazamentos foram uma maneira de intimidar o senador. No entanto, o Supremo já autorizou a abertura do inquérito na semana passada para investigar a relação de Demóstenes com Cachoeira. O relator Ricardo Lewandowski determinou também a quebra de sigilo bancário para facilitar as investigações.

O caso tem sido tema da imprensa desde que Cachoeira e mais 34 pessoas foram presas no começo do ano na Operação Monte Carlo. A partir daí Demóstenes passou a ser investigado por seu possível envolvimento com o jogo do bicho depois que escutas gravadas mostraram Cachoeira falando sobre o parlamentar e relacionando seu nome a grandes quantias de dinheiro. Embora o senador tenha negado conhecer a atuação ilegal de Cachoeira, as gravações mostraram que Demóstenes interferia no cenário político em favor do bicheiro. Em troca recebia dinheiro do empresário.

Embora o advogado acuse a Polícia Federal de ter feito as gravações sem autorização, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ressaltou que elas são legais, pois a política seguiu ordens da Justiça para executar as gravações. O ministro argumentou que o foro privilegiado não é uma garantia que pode ser usada para acobertar atos ilícitos.