Publicado em: quarta-feira, 19/02/2014

Acusados de matar cinegrafista em manifestação no RJ têm prisão solicitada pelo Ministério Público

Acusados de matar cinegrafista no RJ têm prisão solicitada pelo Ministério PúblicoO Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu à Justiça a prisão preventiva de Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza. Os dois são acusados pelo homicídio do cinegrafista Santiago Andrade, que trabalhava pela TV Bandeirantes na cobertura de uma manifestação contra o aumento da passagem na capital fluminense, no último dia 6.

Os jovens estão presos temporariamente, e foram denunciados pelos crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado. Se o pedido do MP for acatado, os dois devem permanecer presos até o julgamento do caso.

Na denúncia, o Ministério Público descreve detalhes da ação de Fábio e Caio, como a utilização de uma máscara resistente a gás, e afirma que ambos queriam direcionar o artefato que atingiu Santiago Andrade para o local onde estavam concentrados manifestantes e policiais. O documento destaca que eles não se importaram se o ato pudesse ferir gravemente alguma pessoa, ou mesmo causar a morte de alguém, como aconteceu.

A denúncia do Ministério Público foi formalizada nesta segunda-feira (17), quatro dias após a conclusão das investigações. Os acusados podem pegar pena de até 35 anos, caso sejam condenados por todas as acusações.

Filha de cinegrafista cita “grupo assassino” nas manifestações

Vanessa Andrade, jornalista e filha de Santiago, condenou a violência nas manifestações. Segundo ela, a morte do pai serve para mostrar a truculência dos grupos que há bastante tempo vêm cometendo crimes durante os protestos, como destruição do patrimônio e furtos.

A filha de Santiago ainda lembrou a paixão do pai pela profissão, e que ele se sentia parte dos momentos que presenciava e levava aos telespectadores. Vanessa comparou as “armas” usadas pelos manifestantes e pelo pai, afirmando que os dois acusados estavam lá com o intuito de atirar, enquanto o pai estava para transmitir os fatos.

Ainda sobre a morte do pai, a jornalista afirmou que não vai deixar que o nome dele seja esquecido, e que vai defender o fim da violência. Segundo ela, esse não é o caminho que vai trazer as mudanças que o povo busca.