Publicado em: terça-feira, 11/03/2014

Abolicionista Luiz Gama ganhará filme e série

Abolicionista Luiz Gama ganhará filme e sérieA trajetória do norte-americano Solomon Northup, retratada no premiado filme 12 Anos de Escravidão, ajudou a reacender o interesse por temas relacionados ao período da escravidão. O Brasil, repleto de histórias sobre o tema – muitas delas parecidas com a de Solomon Northup -, ganhará em breve novos materiais sobre a biografia de Luiz Gama, um dos abolicionistas mais notáveis de sua época. Além de republicano e advogado, o próprio Luiz Gama viveu como escravo durante a infância, após ser vendido por seu próprio pai.

Filme e série

A escritora Ana Maria Gonçalves, que atualmente trabalha no roteiro de um filme e de uma série sobre a vida de Luiz Gama, acredita que o sucesso de 12 Anos de Escravidão poderá aumentar o interesse dos espectadores sobre a história do período escravagista no Brasil.

Ana é uma das maiores pesquisadoras brasileiras sobre a vida de Luiz Gama. Além dos roteiros em que trabalha atualmente, a escritora também é autora do livro “Um Defeito de Cor”, que narra a história de Luiza Mahin, provável mãe de Luiz Gama. O livro despertou a atenção do renomado cineasta Fernando Meirelles, que deseja transformar a história em mais uma série. Neste caso, a produção será exibida na Globo, com direção de Luiz Fernando Carvalho, mas ainda não tem data para começar a ser feita.

Biografia

Luiz Gama é dono de uma das biografias mais ricas do período da escravidão no Brasil. Nascido na Bahia, de pai baiano e mãe africana, Luiz foi vendido como escravo pelo pai, sendo levado à região sul do país para leilões. Ainda na infância, Luiz Gama foi levado para São Paulo, onde trabalhou para um comerciante durante sete anos.

Quando tinha dezessete anos, Luiz Gama aprendeu a ler e a escrever graças à ajuda de um pensionista de seu senhor. O pensionista era Antônio Rodrigues de Prado Júnior, então estudante de Direito. Prado Júnior foi o responsável por encontrar a documentação que provava que Luiz Gama havia nascido livre, o que permitiu ao escravo ser finalmente libertado.

Documentos históricos

Luiz Gama foi alfabetizado em um período no qual mais de 80% da população brasileira não sabia ler nem escrever. O fato de ter sido um escravo alfabetizado o torna ainda mais notável, pois permitiu que Gama descrevesse sua história para a posteridade. Em 1880, dois anos antes de falecer, Luiz Gama enviou uma carta para o amigo Lúcio de Mendonça, na qual relata seus anos como escravo em São Paulo.

De acordo com Lígia Fonseca Ferreira, professora especialista na obra de Luiz Gama, esta carta é um dos documentos mais importantes da história do país. Nos Estados Unidos é possível encontrar uma série de relatos escritos sobre a vida dos escravos. Contudo, no Brasil, de acordo com a pesquisadora, a carta de Luiz Gama é o único documento de um ex-escravo que, posteriormente, se tornou uma figura pública conhecida.

Para ela, há uma grande importância na produção de filmes e séries sobre a vida de Gama e outros escravos brasileiros, pois isso nos ajuda a compreender melhor o período da escravidão no país.