Publicado em: segunda-feira, 10/06/2013

A cada dez prostitutas, uma tem HIV

A cada dez prostitutas, uma tem HIVEntre dez mulheres brasileiras infectadas com o HIV, vírus da aids, uma trabalha como prostituta. Desde o começo em que foi registrada a doença no Brasil, este grupo possui índices alarmantes da doença, que é oito vezes superior ao registrado no restante da população.

Embora os números sejam somente uma estimativa, mostram porque os especialistas ficaram tão preocupados com a repercussão diante da proibição determinada pelo Ministério da Saúde na semana passada no que diz respeito à divulgação de campanhas que incentivam o uso de preservativo que foge do padrão, aquele que apenas incentiva usar preservativo.

Para a diretora Maria Clara Gianna, da Coordenação do Programa Estadual de DST/Aids, prevenção vai muito além. Ela acrescenta ainda que é fundamental que os materiais produzidos para campanhas com foco neste grupo específico apresentem uma linguagem própria, que valorize principalmente a autoestima destas mulheres. Ela argumenta que o Brasil sempre procurou usar este tipo campanha e que elas sempre foram muito eficazes, não havendo, portanto, motivo para quere mudar.

Maria Clara acrescenta que se surpreendeu com a decisão do Ministério em proibir a peça publicitária chamada “Sou feliz sendo prostituta” e diz que ao longo desta semana novos programas locais para prevenção das DSTs e aids serão enviadas aos Ministério com objetivo de defender a estratégia que vem sendo adotada até agora.

Campanha

O material foi censurado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, depois de três dias que foi lançado. A justificativa dada por ele é que o material não apresentava mensagem com foco na prevenção. Maria Clara, no entanto, rebate que este não é primeira vez que a manifestação é feita através de setores específicos da população.

Alexandre Grangeiro é pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e aponta que a postura adotada pelo Ministério pode trazer impacto bem negativo. Isso porque, segundo ele, a censura da campanha mostra que o governo do Brasil está assumindo uma estratégia que é de não reconhecer que prostitutas são profissionais. Isso faz que com o grupo trabalhe às margens da clandestinidade, as tornando mais suscetíveis ainda à violência.

Grangeiro ainda aponta que há pouco conhecimento sobre a aids entre as profissionais do sexo. Ele diz ainda que neste grupo, ser infectado pelo vírus da aids significa ficar desempregada, porque as soropositivas são pressionadas a deixar o trabalho. O pesquisador destaca que, para piorar, as profissionais do sexo não procuram atendimento nas unidades de saúde devido ao preconceito.

A estimativa é de que 6% das prostitutas sejam soropositivas. O índice no restante da população é de 0,56%. O pesquisador diz que isso acontece porque as profissionais do sexo se mostraram mais vulneráveis à doença desde que os primeiros casos foram registrados. Agora, no entanto, a o que se vê é que esta tendência pode se agravar. Para ele, isso mostra que é necessário promover mais ações do que as que já vêm sendo realizadas.